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Never measure the height of a mountain until you reach the top.

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Já o conseguíamos ver no outro extremo do Loch Ness. A caminho de Portree, o Castelo de Urquhart ficava mesmo na nossa rota. Esta é a terceira atração turística mais visitada da Escócia – ficando atrás somente dos castelos de Edimburgo e Stirling -, mas pelo preço de entrada de £9 decidimos ficar somente a observá-lo de fora.

Conta a história que por causa da sua posição privilegiada, o castelo passou pelas mãos de diversos proprietários, chegando a ser usado pelos revolucionários nas Guerras de Independência, batalhas das quais saiu o maior herói escocês, William Wallace.

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Devido às disputas envolvendo a sua posse, o local passou por várias modificações até ser abandonado no século XVII. O Castelo de Urquhart foi parcialmente destruído pelos ingleses a fim de não o deixar ser ocupado pelas forças jacobinas – grupo rebelde escocês – e ficou em ruínas desde então.

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As paisagens de toda a Escócia são incrivelmente verdejantes e mágicas. Tudo me parece saído de um filme e rever estas imagens faz-me querer teletransportar para lá. Os lagos, os prados, as montanhas, os castelos… tudo conta uma história e tudo é uma herança tão grande em espaço quanto em tempo e beleza.

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Pelo caminho não se esqueçam de alimentar as vacas das terras altas [Highlands Cows].

Por acaso parámos num café amoroso à beira da estrada para tomar o pequeno-almoço – o meu preferido btw (sem o bacon) – e havia sacos de comida por £1 para irmos alimentar as vaquinhas do outro lado da estrada. Algumas já estão habituadas e mal veem alguém a aproximar-se correm à procura de comida. Estendam a mão com a comida e não se façam de rogados quando as suas línguas pessonhentas vos sujar a mão toda. Foi uma experiência magnífica principalmente para mim, miúda da cidade.

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E não entrámos no Castelo de Urquhart porque nos estávamos precisamente a “guardar” para o Castelo de Eilean Donan. As minhas fotografias não fazem juz à beleza deste castelo que fica situado numa pequena ilha banhada por três lagos: Loch DuichLoch Long e o Loch Alsh; e fica a Oeste das Terras Altas. Infelizmente a maré não estava muito cheia e não conseguimos vê-lo em todo o seu esplendor.

Este é talvez o cenário mais fotografado de toda a Escócia e já apareceu em filmes como  The Private Life of Sherlock Holmes (1970), The World Is Not Enough (1999)Elizabeth: The Golden Age (2007) e Made of Honor (2007).

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O castelo original foi construído em inícios do século XIII, como uma defesa contra Vikings e, depois de muita história, foi restaurado entre 1919 e 1932. A restauração incluiu a construção de uma ponte arcada a fim de oferecer um acesso mais fácil à ilha. O preço de entrada  é de £7.50 para os adultos e £4 para as crianças. Podem ver tudo aqui.

Depois de 4h de caminho, desde que saímos de Inverness, chegámos à vila de Portree, a capital da Ilha de Skye. Pelo que nos disseram em Inverness, tivemos uma grande sorte em conseguir aqui alojamento. Normalmente, quem quer visitar Skye não consegue alugar casa em Portree e não tem outra escolha se não ficar a dormir nos carros ou em alojamentos distantes à beira da estrada. 

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Nota: A Escócia é mais pequena do que Portugal – tem aprox. 78 mil km2 -, e tem metade da sua densidade populacional. Para além disso, existem kms e kms de área onde não se vê ninguém. Nem uma casa. Isto faz com que seja ainda mais difícil a quem visita a ilha encontrar pontos de paragem para visitar Skye.  

Este foi o alojamento mais caro. Lá está, existe muita procura, existem poucas casas para alugar, os preços sobem. Encontrámos o Harbour Lodge pelo Airbnb, sendo o único alojamento disponível na vila piscatória, por duas noites pagámos 802€. Visto que éramos 7 pessoas, ficou 115€ a cada um. Não foi o alojamento mais limpo em que ficámos mas também podia ser pior. A vista era a melhor, sem dúvida.

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Por termos chegado por volta das 18h a Portree e por, felizmente, nesta altura do ano estar anoitecer na Escócia por volta das 22h, ainda conseguimos fazer umas das caminhadas que tínhamos planeado: The Storr. Este é propriamente o caminho mais famoso da ilha e o mais movimentado. Por sorte, como chegámos lá às 20h conseguimos fazer a caminhada sem ninguém e já pela fresca, o que facilitou bastante. No entanto, não é fácil subir tudo até lá a cima e requer alguma força de vontade. Mas quando se chega ao topo, é muito compensatório.

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Neste trilho pode ver-se o Old Man of Storr. Um grande pináculo de rochas que fica bem lá no alto e pode ser visto a quilómetros de distância (imagem 2. acima). Como parte da cordilheira Trotternish, o Storr foi criado por um território antigo e maciço, formando uma das paisagens mais fotografadas do mundo.

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Esta viagem foi, sem dúvida, repleta de experiências inesquecíveis e esta caminhada acabava de ser adicionada à lista. Foi um misto de medo, adrenalina, ansiedade, emoção e êxtase. Só se ouviam as vozes uns dos outros e aquela imensidão. Houve uma altura em que inclusive nos calámos por instantes para sentir aquele momento.

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E descemos em silêncio. A contemplar o que tínhamos visto e sentido. As emoções fortes pela ilha de Skye ainda agora tinham começado e amanhã tínhamos uma caminhada de nível alto de perigo para fazer. Era hora de nos reunirmos em casa e traçar o plano.

Só vos posso dizer que foi igualmente in-crí-vel.

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