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Old tales, old customs and old men’s dreams in Edinburgh.

No segundo dia de viagem acordámos numa Glasgow solarenga, como no dia anterior, mas mal nos fizemos à estrada percebemos que íamos encontrar uma Edimburgo fria e com nevoeiro a 1h de caminho. E sabem que mais? Adorámos. Esta é uma cidade mística, antiga e repleta de histórias. Foi ótimo termos tido esta experiência única de viver esta cidade nos seus tons naturais.

Quem nos recebeu foi Fiona, a responsável por este Airbnb magnífico. Uma Stunning Penthouse, ideal para o nosso grupo. Já não me recordo ao certo do valor da noite mas posso garantir que não foi barata, tendo sido a segunda estadia mais cara de todo o roteiro. [Qual terá sido a primeira?]

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Devido ao nevoeiro deixámos os pontos mais altos para o segundo dia, na esperança de termos sol, e fomos à descoberta das ruas e dos tesouros térreos da cidade.

E por tesouros, estão também incluídos os pubs, claro. O Jeremiah’s Taproom foi o ponto inicial e final do primeiro dia em Edimburgo. Não podemos dizer que tem os funcionários mais simpáticos da cidade e podem não se livrar ainda, se tiverem uma carinha jovem, de vos pedirem o B.I, mas é certo que tem um espaço incrível com uma variedade enorme de cervejas e o melhor balcão, com vista para a rua. Só para ser do contra, fui pedir um Mocha take away ao café do lado e fui aproveitar-me do quentinho do bar e, claro, fazer a foto que andava a pedir mesmo antes de irmos de viagem. Lá me fizeram a vontade.

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Cada canto é uma descoberta. Os meus olhos estavam por todo o lado e a máquina fotográfica sempre em riste. O céu cinzento e a neblina, que tapava o topo das torres mais imponentes, apenas enchia as fachadas escuras de outra magia.

Depois de passarmos pela Elm Row, onde fica o Jeremiah’s Taproom e a Leith Walk, uma zona repleta de teatros onde encontramos o conhecido Theatre Royal Bar and Restaurant, subimos em direcção ao início da movimentada Princes St. Mas esta zona teria de esperar. O caminho era a North Bridge, que deixava ver alguns dos melhores pontos da cidade como o Calton Hill, lá em cima, a enorme estação de comboios de Edimburgo, em baixo, e ao longe, o Castelo de Edimburgo, o Museum On The Mound e a Univerdade.

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O objetivo era chegarmos à Royal Mile. 1,6km de rua que tem nos extremos opostos o Castelo de Edimburgo e o The Queen’s Gallery, uma galeria de arte pública situada no Palácio de Holyroodhouse. Foi inaugurada em 2002 pela Rainha Elizabeth II e é aqui que está exibida uma parte da Coleção Real.

É ainda na Royal Mile que ficam as lojas turísticas repletas de kilts e cachecóis de caxemira escoceses, os restaurantes e pubs mais turísticos e as atrações de rua. Nas laterais são ainda visíveis os becos sombrios, que por ruas apertadas e escadas estreitas, levam a ruas que nada são, mas que antigamente uniam pontos estratégicos da sua população pobre, que vivia do comércio de gado, pele, feno e cereais.

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Diz a história que, já o início do século XVII, Daniel Defoe, o escritor britânico conhecido por sua novela Robinson Crusoe, escrevera: “Não existe outro lugar no mundo em que as pessoas estejam tão apertadas quanto em Edimburgo”.

E isto faz-me lembrar a história que nos contaram num dos restaurantes turísticos da Royal Mile sobre o Haggis: prato tradicional da cozinha escocesa que consiste num preparado com fígado, pulmão e coração de carneiro cozidos com a banha do animal, triturados, temperados, misturados com cebola e aveia e colocados dentro do estômago do próprio carneiro para cozinhar. Com uma população tão pobre, onde cada refeição tinha que dar para 10 pessoas, todas as partes do animal eram aproveitadas e colocadas dentro de uma tripa para cozinhar. Eu experimentei, não achei horroroso, mas não vamos pensar muito sobre o assunto, ok?

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É nesta rua que fica também a St Giles Cathedral, onde se tinha de pagar 2£ para filmar e fotografar e eu entrei lá de Go Pro em punho como uma profissional. Pormenores. 

A Catedral de St Giles é o principal local de culto da Igreja da Escócia em Edimburgo. A sua distintiva torre em coroa [na imagem] é uma característica proeminente do horizonte da cidade. A igreja tem sido um dos pontos focais religiosos de Edimburgo por aproximadamente 900 anos. A catedral é dedicada a Saint Giles, o santo padroeiro de Edimburgo muito popular na Idade Média.

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E eis que o caminho nos leva a um rasgo de cor nos edifícios medievais. Estamos na Victoria Street. E é aqui que os fãs de Harry Potter são novamente chamados a atenção. Claro que Edimburgo, já por si, é uma cidade especial para os fãs. Foi aqui, em locais como o The Elephant House e o Spoon, que a escritora JK Rowling escreveu os livros da Saga. E é nesta rua que vão encontrar também as lojas Diagon House e The Boy Wizard. Pontos obrigatórios para qualquer feiticeiro que se preze. Compra a tua varinha e sai a dizer Wingardium Leviosa.

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Aqui existem restaurantes requintados, cafés orgânicos e vegan, lojas amorosas, outras que são autênticas galerias de arte e, depois, há o Oink e o The Bow Bar. O primeiro é um “quiosque take away” onde servem enormes sandes rústicas de carne de leitão desfiado, apreciadas por quem provou. O segundo, um verdadeiro pub escocês de paragem obrigatória.

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O que também é de paragem obrigatória é o Princes Street Garden. Parque de bandeira verde de interesse geológico/botânico, lar de vários monumentos e memoriais públicos. É um dos parques mais importantes e separa a Old Town da New Town. Este parque é a localização mais pitoresca da cidade e daqui vê-se o castelo, a cidade velha, a cidade nova e muitos edifícios importantes como este, a cima, a Universidade.

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Nota: O que também há no Princes Street Garden? Esquilos. E façam o favor de lhes levar comida, até porque eles estão exatamente à espera disso. São simpáticos, não têm medo das pessoas, sobem às mãos à procura de comida e ainda fazem poses para a máquina.

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Fomos andando e próximo do cemitério Greyfriars,  quando nos estávamos a aproximar do The Elephant House, na ponte George IV, cruzamo-nos com a estátua inesperada de Greyfriars Bobby. Esta estátua memorial, algo tão apreciado pelos escoceses, foi um cão da raça Skye Terrier, que ficou conhecido na cidade, no século XIX, por ter passado 14 anos a guardar o túmulo do seu dono, até à sua própria morte em 1872.

Um ano depois, Lady Burdett-Coutts mandou erguer uma fonte e uma estátua em sua homenagem. Muitos filmes e livros foram baseados na vida de Bobby, incluindo Greyfriars Bobby, de Eleanor Atkinson e os filmes O Fiel Companheiro (Greyfriars Bobby, 1961, Walt Disney Productions) e The Adventures of Greyfriars Bobby (2006).

Esfregar o seu nariz tornou-se um ritual pelos turistas em busca de boa sorte.

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Mas no segundo dia o sol abriu. O que nos reservou Edimburgo?

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