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That fragment of yourself called anxiety.

Foi em 2016, em Julho, nas nossas primeiras férias de verão em condições. Numa viagem de carro aleatória ao supermercado comecei a sentir que alguma coisa não estava bem comigo. Senti uma dor de cabeça que nunca sentira na minha vida, acompanhada de um aperto no estômago que se enfiou até às costelas. Acredito mesmo que, naquele momento, me tenha atravessado o corpo de um lado ao outro. Mal eu sabia que este sentimento iria fazer parte da minha vida até hoje.

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Não estava a passar por uma boa fase, é verdade. Ansiava desesperadamente por uma mudança drástica na minha vida, tanto a nível pessoal como profissional. A palavra “ansiedade” já fazia parte do meu dicionário como sendo um dos sintomas do hipertiroídismo, mas nunca desta maneira.  Em pouco tempo, todas as inseguranças de uma vida, problemas familiares, anseios por um futuro melhor e a chegada dos 30 sem as realizações que pretendia, parecia que estavam a cair sobre os meus ombros.

As dores de cabeça já acordavam comigo e, para piorar, começava a sentir dores no peito, no braço esquerdo e sentia os pés dormentes. Comecei realmente a achar que só podia estar muito doente. Que tinha um tumor na cabeça ou um problema qualquer no coração. Para cada dor que sentia, procurava na Internet “Ter pé esquerdo dormente, o que significa?”; “Dores de cabeça, o que podem ser?”, etc…

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Disseram-me para parar de beber café, eu parei de beber café. Disseram-me que as dores de cabeça podiam ser da almofada, troquei de almofada.

Entretanto, a Europa começou a estar assombrada por ataques terroristas e o meu pensamento estava tão poluído que comecei a pensar diariamente na morte. Como morreria, quando morreria, o que sentem as pessoas quando morrem… Comecei a ter medo de andar de transportes públicos porque achava que podia haver um atentado, comecei a ter medo de ir do barco para o carro porque achava que alguém me podia perseguir, comecei a ter medo de dormir, comecei a ter medo de ir ao cinema … chorava noites e noites. Até que começaram os ataques de pânico!

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Agora o problema era realmente sério e começava a afectar não só a minha vida como a do Pedro e a dos meus pais. Duas vezes por semana, normalmente em casa e de noite, os mesmos sintomas começavam a aparecer: dores de cabeça do lado esquerdo, pé e braço esquerdos dormentes, dor no peito e falta de ar. O resultado: choro e muito pânico de quem achava que estava a ter um AVC. Meia hora disto e acabava com um calmante dado pela minha mãe que não percebia nada do que se estava a passar. Acho que no dia em que às 5h00, em prantos, me comecei a vestir porque queria ir ao hospital foi a gota de água para todos. Na verdade, ninguém percebia o que eu estava a sentir. Nem os meus pais, nem o Pedro. Ninguém compreendia a gravidade da situação.

Se antes tinha medo de dormir, tudo o que eu agora mais queria era dormir e não sentir nada disto.

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Finalmente ganhei coragem para falar com algumas amigas sobre o que estava a sentir. Ainda hoje, ao pensar nas suas respostas, me emociono. Na verdade, quase todas sentiam, sentiram ou conheciam alguém que estava a passar pelo mesmo. E eu, que pensava que estava a ficar louca, percebi que o problema não era só meu, mas de muitas mulheres e homens que estavam ali bem perto, calados, em silêncio, a tentar viver os seus duros dias de uma batalha diária de nós na garganta e no estômago.

Uns sabem o porquê, outros não fazem ideia de onde veio e porque chegou. A verdade, é que a ansiedade é cada vez mais uma realidade, fruto, talvez, de uma realidade ‘alucinantemente’ rápida e frágil, preenchida por dúvidas, inseguranças, medos, comparações e vazios.

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Com uma pequena ajuda do Inderal e do Victan em SOS, ambos receitados pelo meu médico, comecei aos poucos a mudar o chip, pelo bem de todos. Comecei a frequentar aulas de yoga, inscrevi-me num ginásio, comecei a comer melhor, a beber mais água, a ler e a aprender técnicas de relaxamento que têm sido preciosas no meu dia-a-dia, como a respiração abdominal e o uso de afirmações em horas de mais aflição. O exercício físico mudou drasticamente a minha atitude e a minha saúde mental e aconselho a TODOS que, como eu, sentem ansiedade ou têm ataques de pânico comecem a praticar exercício físico e a aplicar o yoga e meditação nas vossas vidas asap. Aliados, claro, a uma melhor alimentação.

Não é fácil. Não é nada fácil estar rodeada constantemente destes medos e inseguranças. Mas acreditar fortemente que está tudo bem, que vai tudo acabar bem e viver um dia de cada vez, é o melhor que podemos fazer.

Partilhem comigo as vossas experiências e as vossas técnicas de relaxamento. Quero sentir que não sozinha aqui.

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