Maison

The best view comes after the hardest climb.

skye

O segundo dia na Ilha de Skye começou bem cedo. Tínhamos planeadas três caminhadas para este que seria o 6º dia de viagem. Lá ao longe, o Old Man of Storr, diz-nos ‘Hi Mate’ e abre-nos caminho para mais uma estrada rumo à aventura.

Mais precisamente a estrada A855 que sai de Portree e nos leva junto ao mar que entra pelos recortes da ilha. Dizemos adeus ao The Storr pela esquerda e seguimos para o nosso primeiro ponto de paragem: o miradouro Kilt Rock e as Mealt Falls.

skye2

O famoso Kilt Rock é um penhasco de 90 metros cujo o nome vem da sua semelhança com um kilt plissado formado pelas suas colunas verticais de basalto. Este é um ponto de paragem bastante popular na estrada entre Portree e Staffin.

Outro ponto de interesse é a Cascata Mealt que, alimentada nas proximidades pelo Mealt Loch, desce do topo da falésia até a costa num penhasco de 60 metros.

skye3

Mas era o Quiraing que mais ansiávamos descobrir. Esta é uma das caminhadas essenciais para quem quer contemplar umas das mais bonitas paisagens de toda a Escócia. Como parte da cordilheira Trotternish, o Quiraing foi formado por um enorme desmoronamento de terras que criou altas falésias, planaltos ocultos e pináculos de rochas.

Com um grau de dificuldade elevado, ficámos contentes por perceber que o carro podia subir até lá bem a cima. Para quem tem algumas – ou muitas – vertigens, o perigo começa ainda no carro quando, por uma estrada estreita de terra sempre a subir, tentam passar carros, motas e até carrinhas e camionetas, de um lado e de outro.

skye4

Esta caminhada é um loop, ou seja, é uma caminhada à volta de toda a montanha e abrange uma distância de 6,8 km, com o tempo médio para completar de 2 horas (sem paragens).

O estacionamento parece muito, mas torna-se muito pouco para a quantidade de aventureiros que por lá começam a existir. Uns mais preparados do que outros. Uns com cães, outros com crianças. E nós, sete gatos pingados em plena hora de calor, de calças de ganga, t-shirt e os ténis de andar por casa. Resumindo, foi um daqueles cenários que precisava do letreiro “Meninos, não façam isto em casa.” Fomos uns valentes irresponsáveis.

skye5

Basicamente o que causou mais medo foi o caminho estreito de terra que tinha alguns obstáculos – algumas vezes assustadores-, o declive acentuado em alguns locais da montanha – em que se caíssemos podíamos dizer ‘Bye, bye Maria Ivone’e o calçado que não foi DE TODO o mais apropriado. Acho que o único arrependimento foi mesmo esse porque tudo o resto compensa. Aquela vista, aquela imensidão, aquela paz e aquele silêncio …

Há ainda quem não se rale muito e aproveite as planícies do Quiraing para fazer uma paragem e apreciar a vista enquanto se ouve ao longe alguém a tocar gaita de foles.

Segue e soma. Mais uma daquelas experiências memoráveis para levar na mochila e no coração. 

skye6

E na nossa rota seguia-se o Fairy Glen, na zona de Uig. Os caminhos serpenteiam ao redor de pequenas colinas circundadas por lagos, o que dá ao vale uma sensação sobrenatural e mágica que originou o seu nome.

Lá em baixo, o que parece também ser uma espiral mística e especial é, na verdade, o resultado da criação de vários visitantes que começaram a mover as pedras. Foi-lhes dito, por alguns guias turísticos, várias histórias inventadas que encorajaram alguns rituais que envolvem andar pelas espirais e deixar uma moeda ou objecto no centro, como uma oferenda às fadas em troca de boa sorte! Tretas…

skye7

Os moradores de Skye bem removem repetidamente estas espirais de pedra na tentativa de manter o Glen no seu estado natural mas estas continuam lá. E as suas “oferendas” às fadas também: óculos de sol, moedas, bilhetes de comboio… lixo!

lighthouse

E porque ainda era cedo, e queríamos aproveitar o nosso final do dia num local especial, fomos repor energias a Portree com um Fish & Chips e um Haggis, sentados na baía de pescadores mesmo em frente à nossa casa.

Por volta das 18h00 partimos para mais uma caminhada. A uma hora de viagem avistaríamos uma das pontas da ilha onde se situa o Neis Point Lighthouse.

skye11

O Neist Point é um dos mais famosos faróis da Escócia e pode ser encontrado na ponta mais ocidental de Skye. Enquanto a caminhada é fácil, o caminho torna-se um pouco mais difícil para quem não adora descer escadas. Bem, o descer não é difícil, o difícil é quando se tem de subir.

O caminho abrange uma distância de 2,2 km, com o tempo médio para completar de 45 minutos (sem paragens). Nós ficamos lá mais ou menos umas 3h pois aproveitámos para ver tudo ao pormenor, divagar em conversas, ficar em silêncio, observar as ovelhas, aproveitar a companhia uns dos outros e ver o pôr-do-sol que eu nunca mais esquecerei.

skye12

Era a última noite em Portree e o 7º dia seria longo. Oban era o nosso próximo destino mas até lá ainda tínhamos muito para viver. Antes de abandonarmos a ilha tínhamos uma última paragem a fazer: Fairy Pools.

As Fairy Pools são umas cascatas que se transformaram em piscinas azuis de água cristalina graças ao Rio Brittle. Estas famosas piscinas atraem visitantes de todo o mundo, convidando muitos deles a um mergulho. Eu apenas molhei os pezinhos mas posso-vos dizer que qualquer Portinho da Arrábida é mais frio.

Nota: Sim, para a Escócia leva-se um fato de banho. 

A caminhada faz-se pelo mesmo caminho, para ir e voltar, e estima-se que dure 40 minutos. Claro que desde a primeira cascata até às últimas piscinas demora-se muito mais, entre fotos, conversas e mergulhos.

skye9

Havíamos chegado a Armadale e tínhamos de dizer adeus a esta fantástica ilha. Um Ferry boatcom horários específicos – iria levar-nos a Mallaig e permitir-nos chegar ao próximo destino.

Mas os fãs de Harry Potter que se preparem porque conseguimos alcançar o pico da emoção no Genfinnan Viaduct ou, para muitos, a Harry Potter Bridge. O parque de estacionamento pode tornar-se pequeno para todos os visitantes mas naquele dia estava vazio. O caminho é sempre a subir, fácil e não tem nada que enganar. A vista que queríamos era esta, e ainda tínhamos uns bancos para nos sentarmos.

Desafio: esperar, esperar, esperar [esperámos 1h] até o comboio vermelho e antigo do “Harry Potter” passar e, conseguir aguentar as melgas.

harry2

harry-potter4

Estava a anoitecer e a noite iria ser passada na baía de Oban. Todo o caminho até lá foi incrível. Lagos de perder de vista, estradas repletas de vegetação – ao contrário da vegetação baixa na Ilha de Skye – e ainda uma cidade muito bonita que vimos apenas de passagem: Fort William.

Chegámos e era altura de atacar uma pizza e relaxar. Amanhã conto-vos sobre Oban e a viagem até Stirling, a nossa última estadia.

Post a Comment