Maison

The clearest way into the Universe is through a forest wilderness.

Deixamos as grandes cidades e estamos prestes a entrar na Escócia encantada. A Escócia dos castelos, dos bosques, das fadas, das montanhas e dos lagos.

É esta a parte da Escócia que mais ansiava conhecer e com a qual sonhava desde criança. Descobri que gostava de música Celta quando vi o Titanic e perguntei ao meu pai que música era aquela que o Leonardo Dicaprio estava a dançar. Soube que gostava de fadas – elemento da cultura celta – desde sempre, até aos 17 anos tatuar uma nas costas. E foram vários os filmes e séries que me fizeram sonhar com esta viagem que pensara ser inalcançável.

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E foi inspirados pela série Outlander que colocámos imediatamente a pequena vila de Falkand, na nossa rota, enquanto nos dirigia-nos à nossa próxima estadia: Inverness.

Há já alguns tempos que tenho vindo a adoptar um estilo de vida muito mais saudável, devido a questões éticas mas também por questões de saúde. Cortei a carne, introduzi muito mais legumes e peixe na minha alimentação e sempre que possível privilegio produtos biológicos e orgânicos. Por isso, quando nos cruzámos com o Pillars of Hercules na estrada, dei um pulo misturado com um grito e pedi para pararmos. Mesmo a tempo do 2º pequeno-almoço.

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Este paraíso perdido no meio de um bosque, à beira da estrada, foi sem dúvida uma das pérolas desta viagem. Uma quinta, uma mercearia com produtos biológicos, um café com os scones caseiros mais deliciosos da região, uma loja com produtos também eles orgânicos que vão desde pasta de dentes a chás, um alojamento e um viveiro com variadíssimas espécies de plantas. Depressa percebemos que a quinta orgânica era bastante conhecida na região pela quantidade de visitantes que iam chegando.

O bosque do Falkland Red Squirrel Trail, um dos locais em Falkland onde se pode observar os esquilos-vermelhos – uma espécie em vias de extinção -, pareceu-me o ambiente ideal para começar a entrar no mood das “fairy tale scenes”.

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Chegámos à vila e rapidamente conseguimos ver os locais gravados na série, como a estalagem Mrs Baird’s B&B, onde Claire e Frank ficam hospedados, logo no início da 1ª temporada, que na verdade é o Covenanter Hotel; a praça principal que na série foi alterada para nos transportar à época em questão; e a igreja.

Quem viu a série vai automaticamente viajar até Outlander com estas imagens, numa Falkland, que foi retratada como sendo Inverness em 1746. Uma vila verdadeiramente pacata, pequena e acolhedora que nos trouxe uma enorme sensação de paz.

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Um outro ponto marcado no nosso caminho até Inverness era o The Hermitage Woodland Walk, na região de Dunkeld. Penso que o descobri numa pesquisa que fiz sobre quais os bosques e florestas mais bonitos a visitar. E realmente é de tirar a respiração de tão denso, tão profundo e com tanta história. Aliás, é aqui que encontramos a árvore mais alta da Grã-Bretanha, a Giant Douglas. E este é também outro dos locais onde se podem avistar os queridos de orelhas peludas, esquilos-vermelhos. No Outono, podemos ainda assistir aos salmões a subir pelas quedas de água dos rios voltando ao seu local de nascença para desovar.

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A visita a este trilho é gratuita e podem optar por vários caminhos dependendo do tempo que queiram dispensar. À entrada do bosque, logo no parque de estacionamento, têm uma placa com os vários caminhos e o tempo que demorarão a percorrê-lo. Se quiserem, podem optar por marcar uma visita guiada. Vejam o site e descubram a variedade de condições que este parque vos oferece.

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E se estiverem a precisar de um pouco mais de sorte, não se esqueçam de cravar a vossa moeda na wishing tree do The Hermitage. Pelo que pesquisei, este ritual é feito na Escócia desde o século XVII, e várias árvores velhas são cravadas de moedas na esperança de trazer boa sorte ou curar doenças. Antigamente acreditava-se que espíritos divinos viviam nas árvores e esta seria a sua oferenda em troca de saúde e felicidade. 

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Das 3h20 que separavam Edimburgo de Inverness, apenas nos faltavam 1h54 para chegar ao nosso destino. O rádio já estava sintonizado a banda sonora da nossa viagem não podia ser a mais scottish. A língua, porém, já não era inglesa. Era mais uma mistura de inglês com belga. E assim descobrimos o que era a língua celta.
Os bosques densos deram lugar às montanhas “carecas” com os cumes ainda em gelo, aos riachos, aos campos com vacas e ovelhas, e a caminhos sem vermos viva-alma. Estávamos nas Highlands.

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Chegámos finalmente a Inverness e foi no Fraser House B&B  que ficámos apenas uma noite, sendo o nosso ponto de ligação com a Ilha de Skye. Esta estadia ficou, por 7 pessoas, a 280£, com pequeno-almoço incluído.

Por termos chegado ao final do dia, não conseguimos ver o comércio aberto. Restou-nos escolher o lugar para jantar e um pub típico onde podíamos beber uma cerveja e apreciar o ambiente.

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Aconselhados pelo nosso host fomos ao Black Isle Bar comer uma pizzas caseiras feitas em forno de lenha com a melhor cidra que bebi em toda a viagem. Cidra essa que descobrimos ser feita na sua própria destilaria, a Black Isle Brewery, sendo a primeira destilaria orgânica em todo o Reino Unido. A sério, não conseguimos encontrar outra cidra tão boa em toda a viagem. A noite acabou, mesmo em frente, no Hootananny, um pub escocês com música ao vivo que nos fez levantar copos e bater o pé no soalho de madeira ao som da flauta, do acordeão, da pandeireta e do violino.

De manhã, tínhamos novamente uma longa caminhada pela frente. Por isso mesmo, tínhamos à nossa espera o típico scottish breakfast. Para mim, foram muito atenciosos, e prepararam-me uma versão vegetariana. Thanks mate!

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Em 25 minutos chegámos ao tão aguardado Loch Ness. A seguir aos bosques e florestas, era esta a zona que mais ansiava visitar, pelas razões óbvias. Porém, foi diferente do que eu estava à espera. Não esperava que fosse tão largo e que se perdesse tanto no horizonte. Esperava que fosse mais misterioso e que a vegetação fosse mais densa e, no fundo, que mete-se mais medo [risos]. É apenas um lago. Bom, é “apenas” um lago com 37kms em que a sua quantidade de água, na verdade, dá perfeitamente para alojar um Nessie, sem problemas nenhum.

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Mesmo sem o monstro do Loch Ness, o litoral do segundo maior lago da Escócia esconde outras relíquias como os castelos de Urquhart e Eilean Donan. E é para lá que vamos, continuando o nosso caminho até chegar a Portree.

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